Cuidar do intestino se torna peça importante de um quebra cabeça neuro endócrino imunológico funcional.

A relação do cérebro com o intestino, embora há muito conhecida pelas medicinas milenares, como a Ayurvédica, a Tradicional Chinesa e a Tibetana, vem sendo desvendada somente nas últimas décadas pelos cientistas.

Doenças como depressão, ansiedade, pânico, autismo, obesidade, insônia, alteração de humor, enxaqueca, doenças imunológicas, intolerâncias alimentares, doenças tireoidianas, sinusites e artrites parecem estar diretamente conectadas a um instestino disfuncional.

No trato gastrintestinal (TGI) existem cerca de 100 milhões de neurônios, mais do que a medula espinhal, perdendo apenas para o cérebro em número de neurônios existentes. Ele é responsável pela produção de neurotransmissores como serotonina, produção de hormônios como a melatonina, o hormônio do sono e está diretamente relacionado a rede neuroendócrina e a produção de endorfinas.

O intestino abriga um superorganismo chamado microbiota intestinal (flora intestinal), que é conhecida por desempenhar um papel crucial na digestão e também no desenvolvimento de diversas doenças. O trato gastrintestinal humano contém mais bactérias do que células no corpo, mais de 10 trilhões de bactérias, abrangendo mais de 500 espécies diferentes.  As atividades metabólicas desempenhadas por estas bactérias se assemelham aos de um órgão, levando alguns a comparar bactérias do intestino a um órgão “esquecido”. Estima-se que esta flora intestinal tem cerca de cem vezes mais genes, no total, uma vez que existem no genoma humano.

A ingestão do alimento não garante que seus nutrientes estarão biodisponíveis para serem utilizados pelas células. Neste contexto, o intestino é o  órgão de vital importância para no nosso corpo. Funciona como filtro, capaz de permitir ou barrar a entrada de nutrientes necessários ao organismo e de substâncias prejudiciais para a nossa saúde, sendo esta uma das principais funções da mucosa intestinal, outras funções descritas abaixo.

Principais Funções da Flora Bacteriana do Intestino:

– Barreira contra moléculas e microrganismos penetrarem na ciculação.

– Armazenamento de gorduras através da digestão e abosorção de ácidos graxos de cadeia curta, os mais importantes destes ácidos graxos são butiratos, metabolizados pelo epitélio do cólon; propionatos pelo fígado; e acetatos do tecido muscular.

– Fermentação de carboidratos não digeridos, substrato de energia não utilizada.

– Na síntese de vitamina Be da vitamina K, bem como ácidos biliares, que metabolizam esteróis(colesterol) e xenobióticos(compostos químicos estranhos a um organismo ou sistema biológico).

– Algumas espécies são capazes de causar doenças por infecção ou aumentar o risco de câncer.

Mais de 99% das bactérias no intestino são anaeróbios(que não necessita de oxigênio para o crescimento).

A investigação sugere que a relação entre a flora do intestino e os seres humanos não é apenas comensal (uma coexistência não nociva), mas sim uma relação mutualística(forma de obter energia e nutrientes).

Os fungosprotozoários e archaea também compõem uma parte da flora intestinal, mas pouco se sabe sobre suas atividades.

1.0 – O que é Disbiose intestinal?

A Disbiose Intestinal é um desequilíbrio da flora bacteriana intestinal em que organismos de baixa virulência se tornam patógenos em virtude do desequilíbrio quantitativo e qualitativo que está instalado, afetando negativamente a saúde do ser humano.

2.0 – Quais são as causas do desequilíbrio da microbiota intestinal?

O desequilíbrio intestinal começa com uma relação direto do órgão com o nosso ambiente, agressores encontrados no ambiente levarão a alteração da permeabilidade da das paredes intestinais e mudança na composição da sua flora.

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A alimentação industrializada, contendo conservantes, corantes, pesticidas, hormônios e antibióticos talvez seja um dos fatores mais impactantes na flora bacteriana levando ao seu desequilíbrios, conhecidos xenobióticos.
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Entre as possíveis causas da disbiose estão:

  • Sedentarismo, envelhecimento e estresse
  • Fumo e alcoolismo
  • Uso indiscriminado de antibióticos, que matam tanto as bactérias boas assim como as nocivas
  • Uso de antiinflamatórios hormonais e não-hormonais
  • Abuso de laxantes
  • O consumo excessivo de alimentos processados
  • Disponibilidade de material fermentável
  • Estado imunitário do hospedeiro.
  • Alérgenos alimentares
  • O pH intestinal, com o uso crônico de inibidores da bomba de prótons (Omeprazol), alteram o pH do estômago o qual tem que ser ácido.
  • Açucares, frutose em excesso e farinha de trigo

Pode ainda estar associada a outros fatores alimentares, dieta com excesso de proteína, gordura ou carboidrato (uma grande ingestão de carboidrato leva a maior fermentação pelas bactérias no intestino grosso), ou com baixo teor de fibras ou ainda carência de vitaminas. A disbiose inibe a formação de vitaminas produzidas no intestino, como a B12 e permite o crescimento de fungos e bactérias capazes de afetar o funcionamento do organismo, alterando a microbiota intestinal.

3.0 – Quais são as consequências da Disbiose Intestinal?

3.1- Alteração da Permeabilidade

A integridade intestinal está ligada a um equilíbrio das bactérias intestinais e à nutrição saudável de enterócitos e colonócitos, que são células da mucosa intestinal. A perda deste equilíbrio leva a alteração da permeabilidade intestinal.

 

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O intestino humano representa o maior órgão linfoide do corpo. Com a alteração da permeabilidade intestinal os xenobióticos, elementos não conhecidos pelo sistema imunológico atravessam para dentro do organismo como antígenos.

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Estes antígenos são apresentados aos anticorpos, como a imunoglobulina A secretora e outras várias células imunocompetentes, desencadeando desta forma diversas reações imunológicas.

 
3.2 – Alteração da Imunidade
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Ilya Ilyich Mechnikov, cientista Russo – Ucraniano (1845 – 1916), defendia a Teoria: “Para manter uma boa saúde é preciso manter o intestino sadio”. Ilyich, recebeu o prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1908, juntamente com Paul Ehrlich, pelos seus trabalhos sobre imunidade. Distinguiu-se pelos seus estudos em Imunologia e especialmente no papel representado pelos leucócitos nafagocitose de bactérias. Autor do Livro Immunity in infectious Diseases. Trabalhou Pasteur últimos 20 anos da sua vida. Foi incentivador da Imunologia Moderna – transplantes, vacinas, antibióticos e esperanças contra o câncer.

A presença destas bactérias é essencial para o metabolismo, a proteção contra agentes patogênicos e de maturação do sistema imunológico. Em contrapartida, o sistema imune determina a composição da microbiota.

Um artigo publicado no American Jourmal of Transplantation, por pesquisadores do Departamento de Medicina, da Universidade de Chicago demonstrou que a composição microbiana alterada pela disbiose tem sido correlacionada com numerosas doenças em seres humanos, devido à redução da imunidade.

Outro grupo de pesquisadores, da Escola de Medicina da Universidade de Keio em Tókio, relatara que as composição da microbiota intestinal desregulada ou disbiose, pode ser associada com as causas fundamentais da Doença Inflamatória do Intestino (DII) e que a depressão no sistema imunitário intrínseco é um efeito, não uma causa, da DII.

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 3.3 – Alteração do Humor

A saúde mental está intimamente ligada à saúde física. A depressão por exemplo, é altamente prevalente em todo o mundo e uma importante causa de incapacidade individual. A depressão pode ter várias causas, podendo ser uma delas a disbiose, de acordo com os cientistas. Em um artigo publicado na Inflammopharmacology no mês passado, pesquisadores do Medlab, em Sydney, Australia afirmam que a microbiota no trato gastrintestinal está implícita como participante importante na melhoria das condições adversas de humor, através das diversas atividades metabólicas exercidas por bactérias benéficas vivas (probióticos) como tratamento adjuvante destas desordens. Assim descreve também Dr Juarez Calegaro em seu Livro Mentes criativa a aventura no cérebro bem nutrido.

3.4- Doenças Relacionadas

Se as paredes intestinais estiverem prejudicadas pode ocorrer um desequilíbrio entre as bactérias protetoras e agressoras do intestino, originando a disbiose intestinal, um distúrbio que pode acarretar, desconforto abdominal, inchaço abdominal e até o surgimento de outras doenças mais graves, devido a alterações do sistema imunológico.

 

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Órgão e sistemas afetados negativamente na Disbiose Intestinal

  • Transtornos psíquicos
  • Distúrbios e Intolerância alimentares
  • Alterações Gastrointestinais
  • Baixa Imunidade
  • Doenças autoimunes
  • Constipação e diarreia
  • Doenças de pele
  • Fadiga Adrenal
Doenças que pode estar relacionadas a Disbiose
 
  • Autismo e Transtorno de déficit de atenção
  • Enxaquecas
  • Alzheimer
  • Depressão, compulsão, ansiedade, síndrome do Pânico e outros
  • Distúrbios Alimentares
  • Tireoidite Hashimoto
  • Lupus e artrite reumatóide
  • Sinusites e resfriados frequentes
  • Acne, rosácea, eczema e alergias de pele
  • Blefarites, calázios e Hordéolos
  • Psoríase
  • Câncer
  • Esofagite
  • Obesidade
  • Esteatose hepática (gordura no fígado)
  • Pancreatite Aguda
  • Fibromialgia
  • Infecções Urinárias e Genitais
  • Candidíase
  • Osteoporose
  • Doenças Inflamatórias intestinais:

    • Síndrome do Intestino Irritável
    • Doenças Inflamatórias Intestinal
    • Doença de Chron
    • Retocolite ulcerativa
    • Doença celíaca (Intolerância ao Glúten)

4.0 – Diagnóstico Disbiose Intestinal

            4.1- Diagnóstico Clínico:

O Diagnóstico da disbiose intestinal é clínico, com uma boa anamnese e história clínica é possível ter a suspeita diagnóstica.

Quais sinais e sintomas que indiquem uma suspeita da disbiose?

Prisão de ventre ou Diarreia

Gases e flatos constante e cheiro ruim

Barriga Inchada

Dor na barriga

Arroto

Mau Hálito

Cólicas

Dores de cabeça

Tendência a alergias

Vive congestionado

Compulsão por açúcar

Cansaço Constante

Mudanças constante Humor
Insônia
 
            4.2 – Diagnóstico Laboratorial

Antes da instituição da terapia o exame é importante não só como diagnóstico como também importante no prognóstico da disfunção. O “Indican” apresenta resultados em grau leve, moderado ou intenso.

PESQUISA DE DISBIOSE – EXAME URINA INDICAN

            O “Indican”  é o resultado da decomposição do triptofano intestinal, estando normalmente presente em traços na urina.

Sua absorção intestinal e maior na presença de constipação ou aumento da putrefação intestinal.

            Assim, o “Indican” tem seu nível aumentado em DISBIOSE enterites, na obstrução intestinal, no íleo paralitico e nas neoplasias gastrintestinais.

            O “Indican”  também se apresenta elevado em quadros de decomposição bacteriana de proteínas corpóreas, como septicemias e gangrenas.
Como Restaurar a Flora Bacteriana Intestinal?
 

Fontes:
– Wikipedia

– Doutor Michael D. Gershon – O Segundo Cérebro – Ed. Campus.

– Doutor Helion Póvoa – O cérebro desconhecido – Ed.Objetiva

– Doutor Juarez Calegaro. “Mentes Criativas uma aventura num cérebro bem nutrido”.

Referências

Shifts in microbiota species and fermentation products in a dietary model enriched in fat and sucrose.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25213025

Nutritional iron turned inside out: intestinal stress from a gut microbial perspective.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25205464

Environmental Risk Factors for Inflammatory Bowel Diseases: A Review.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25204669

Disbiose intestinal.

http://www.marcellabarradas.com.br/wp-content/uploads/ 2012/03/disbiose-intestinal.pdf

Uso de probióticos na recuperação da flora intestinal.

http://www.nutricritical. com/core/files/figuras/file/TCC%20Carol.pdf

Benefícios dos probióticos à saúde humana.

http://bibliodigital.unijui.edu.br:8080/xmlui/bitstream/handle/123456789/527/Benef%C3%ADcios%20dos%20probi%C3%B3ticos%20%C3%A0%20sa%C3%BAde%20humana.Acad%C3%AAmica%20Laise%20Rocha.pdf?sequence=1

Probiotics normalize the gut-brain-microbiota axis in immunodeficient mice.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25190473

High-fat-diet-mediated dysbiosis promotes intestinal carcinogenesis independently of obesity.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25174708

Effect of commensals and probiotics on visceral sensitivity and pain in irritable bowel syndrome.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25184834

The Microbiota, the Immune System and the Allograft

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24840316

Diet, microbiota, and inflammatory bowel disease: lessons from Japanese foods.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25045286

The gastrointestinal tract microbiome, probiotics, and mood.